Rosas Sobre a TV



Há um modo de dizer das rosas embutidas no estio.
Um modo de dissimular o hálito pútrido de palavras
e doar um buquê ruminante a cérebros silenciosos.
Há um modo de dizer das coisas com jeito de folhas
eternizadas nos festivos caos das consciências.
Nele, rosas alegres nascem em vasos de jornais sobre a TV.
E como toda a banalidade e brutalidade, todo pleno amor e ódio
e demência extingue-se com o ser, também folha, este foi,
das rosas que nascem sobre a TV.
E se sobram pudores em lhe conhecer o rosto,
melhor assim, até as fotos desbotam sobre a TV.
Um dia, suas cores e fatos não mais doem.
Há um modo de não dizer dos espinhos embutidos nas rosas
tramadas para nascerem secas, e ofertar um buquê,
em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Mas, há também um modo de não dizer das rosas que
nascem, somente, sobre a TV.
E o entorno não é mais verdadeiro nem menos verdadeiro
do que as palavras que o podem ver.


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Jeanne Chaves
Pernambuco, Brasil, 29 de dezembro de 2009